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O GRANDE NEVÃO
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Terça, 29 de Maio 00h00 Fitei - O Grande NevãoEncenação Roberto Merino Proposta dos alunos do 1º Ano do Curso Superior de Teatro da Escola Superior Artística do Porto (ESAP), O Grande Nevão apresenta uma série de figuras ansiosas por contar histórias de cantar e de mimar situações, numa espécie de retorno ao paraíso, mas sem regresso nem saída. ..................................................... Fitei - Diário de uma vida/Diário de várias vidas Diário de uma Vida/Diário de várias vidasConcepção e encenação Nuno Meireles A partir da escrita de um diário, Nuno Meireles e os alunos do 1º ano do Curso de Teatro da ESAP, constroem um pequeno espectáculo. Será o meu diário ou o diário de cada um de nós? Segunda, 4 de Junho, às 23h59 No Plano B : Rua Cândido dos Reis nº 30 (aos Clérigos)O Grande Nevão
Sinopse
Espectáculo juvenil pelos alunos do 1º ano do curso de Teatro da ESAP. “o grande nevão ou variações sobre um único tema”.
De pano de fundo um livro, o único e sobrevivente livro que fala de um menino abandonado por causa de um oráculo… a história do pai e da mãe da criança … e há também a necessidade de rir e de lustrar as mãos para esquecer o frio de um grande nevão outonal, invernal ou nuclear…
Encenação: Roberto Merino
Interpretação: João do Russo, Maria Escaleira, Diogo Pinho, Isabel Cortes, Fernando Leiras, Júlio Filipe Cardoso, Helena Duro, Pedro Saraiva, Rita Isabel e Rita Vieira.
Luz: Manuel Ângelo Mota.
Som: Roberto Merino
ESAP 1º do curso de Teatro.
ESPECTÁCULO INSERIDO NO FESTIVAL DE TEATRO PARA A INFÂNCIA E JUVENTUDE - BEIJAMINS II
http://beijamins.blogspot.com
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AGENDA:
DIA 27 JANEIRO
A LIÇÃO, de Eugène Ionesco
Encenador Manuel Ramos Costa
Pelo Contacto - Companhia de Teatro Água Corrente de Ovar
DIA 3 FEVEREIRO
(N)A TUA AUSÊNCIA, de Paulo Ferreira
Encenador Luís Mendes
Pelo TPN - Teatro Passagem de Nível (Amadora)
DIA 10 FEVEREIRO
A VIZINHA DO LADO, de André Brun
Encenador João Gomes
Pelo Grupo Renascer (Esmoriz)
DIA 24 FEVEREIRO
HUMOR NÃO PAGA IMPOSTO, de Fernando Marques
Encenador Francisco Nogueira
Pelo Grupo Dramático Beneficente de Rio Tinto (Gondomar)
(Revista à Portuguesa)
DIA 10 MARÇO
ATÉ ÀS CINZAS, de Joaquim Murale
Encenador José António
Pelo ACGITAR (Gondomar)
DIA 17 MARÇO
KIKERIKISTE, de Paul Maar
Encenador José Teles
Pelo Cegada Grupo de Teatro (Alverca)
DIA 24 MARÇO
Encerramento c/ sessão de entrega de prémios
MÉDICO À FORÇA, de Molière
Encenador António Clemente
Pelo Ultimacto - Grupo de Teatro de Cem Soldos (Tomar)
(Extra-concurso)
Rita I.
Foto de Estela Silva/Lusa
"Otelo", de Shakespeare, com encenação de Nuno Cardoso e uma co-produção do Tnsj com O Cão Danado e Companhia!
A tragédia que William Shakespeare escreveu por volta de 1603!
«O próprio encenador caracteriza a peça como "uma cisterna profunda, onde se mergulham as emoções e os dramas humanos". Ou como um "ringue frio" em que a luta é a da comunicação e a da distorção, em que à "inteligência de quem conduz" se opõe "a paixão de quem é levado". Porque, na verdade, é de paixão e de traição que trata "Othello", que o público britânico viu pela primeira vez no Whitehall Palace de Londres, corria o ano de 1604.»
Rita I.
Às vezes se te lembras procurava-te
retinha-te esgotava-te e se te não perdia
era só por haver-te já perdido ao encontrar-te
Nada no fundo tinha que dizer-te
e para ver-te verdadeiramente
e na tua visão me comprazer
indispensável era evitar ter-te
Era tudo tão simples quando te esperava
tão disponível como então eu estava
Mas hoje há os papéis há as voltas dar
há gente à minha volta há a gravata
Misturei muitas coisas com a tua imagem
Tu és a mesma mas nem imaginas
como mudou aquele que te esperava
Tu sabes como era se soubesses como é
Numa vida tão curta mudei tanto
que é com certo espanto que no espelho da manhã
distraído diviso a cara que me resta
depois de tudo quanto o tempo me levou
Eu tinha uma cidade tinha o nome de madrid
havia as ruas as pessoas o acomodato
os bares os cinemas os museus
um dia vi-te e desde então madrid
se porventura tem ainda para mim sentido
é ser solidão que te rodeia a ti
Mas o preço que pago por te ter
é ter-te apenas quanto poder ver-te
e ao ver-te saber que vou deixar de ver-te
Sou muito pobre tenho só por mim
no meio destas ruas e do pão e dos jornais
este sol de Janeiro e alguns amigos mais
Mesmo agora te vejo e mesmo ao ver-te não te vejo
pois sei que dentro em pouco deixarei de ver-te
Eu aprendi a ver a minha infância
vim a saber mais tarde a importância desse verbo para os gregos
e penso que se bach hoje nascesse
em vez de ter composto aquele prelúdio e fuga em ré maior
que esta mesma tarde num concerto ouvi
teria concebido aqueles sweet hunters
que esta noite vi no cinema rosales
Vejo-te agora vi-te ontem e anteontem
E penso que se nunca a bem dizer te vejo
se fosse além de ver-te sem remédio te perdia
Mas eu dizia que te via aqui e acolá
e quando te não via dependia
do momento marcado para ver-te
Eu chegava primeiro e tinha de esperar-te
e antes de chegares já lá estavas
naquele preciso sítio combinado
onde sempre chegavas sempre tarde
ainda que antes mesmo de chegares lá estivesses
se ausente mais presente pela expectativa
por isso mais te via do que ao ter-te à minha frente
Mas sabia e sei que um dia não virás
que até duvidarei se tu estiveste onde estiveste
ou até se exististe ou se eu mesmo existi
pois na dúvida tenho a única certeza
Terá mesmo existido o sítio onde estivemos?
Aquela hora certa aquele lugar?
À força de o pensar penso que não
Na melhor das hipóteses estou longe
qualquer de nós terá talvez morrido
No fundo quem nos visse àquela hora
à saída do metro de serrano
sensivelmente em frente daquele bar
poderia pensar que éramos reais
pontos materiais de referência
como as árvores ou os candeeiros
Talvez pensasse que naqueles encontro
sem que talvez no fundo procurássemos
o encontro profundo com nós mesmos
haveria entre nós um verdadeiro encontro
como o que apenas temos nos encontros
que vemos entre os outros onde só afinal somos felizes
Isso era por exemplo o que me acontecia
quando há anos nas manhãs de roma
entre os pinheiros ainda indecisos
do meu perdido parque de villa borghese
eu via essa mulher e esse homem
que naqueles encontros pontuais
Decerto não seriam tão felizes como neles eu
pois a felicidade para nós possível
é sempre a que sonhamos que há nos outros
Até que certo dia não sei bem
Ou não passei por lá ou eles não foram
nunca mais foram nunca mais passei por lá
Passamos como tudo sem remédio passa
e um dia decerto mesmo duvidamos
dia não tão distante como nós pensamos
se estivemos ali se madrid existiu
Se portanto chegares tu primeiro porventura
alguma vez daqui a alguns anosjunto de califórnia vinte e um
que não te admires se olhares e me não vires
Estarei longe talvez tenha envelhecido
Terei até talvez mesmo morrido
Não te deixes ficar sequer à minha espera
não telefones não marques o número
ele terá mudado a casa será outra
Nada penses ou faças vai-te embora
tu serás nessa altura jovem como agora
tu serás sempre a mesma fresca jovem pura
que alaga de luz todos os olhos
que exibe o sossego dos antigos templos
e que resiste ao tempo como a pedra
que vê passar os dias um por um
que contempla a sucessão de escuridão e luz
e assiste ao assalto pelo sol
daquele poder que pertencia à lua
que transfigura em luxo o próprio lixo
que tão de leve vive que nem dão por ela
as parcas implacáveis para os outros
que embora tudo mude nunca muda
ou se mudar que se não lembre de morrer
ou que enfim morra mas que não me desiluda
Dizia que ao chegar se olhares e não me vires
nada penses ou faças vai-te embora
eu não te faço falta e não tem sentido
esperares por quem talvez tenha morrido
ou nem sequer talvez tenha existido.
Ruy Belo
... na minha opinião, um dos poemas mais bonitos...
«Poemas de Ruy Belo
apresentação e selecção de Luís Miguel Cintra»
Assírio & Alvim
Colecção de Sons da Assírio & Alvim
Rita I.